Um dia será você que irá buscar o saco de ossos lá

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Dizem que você vira oficialmente filho de uma terra, quando você faz um filho e finca uma raiz (enterra um ente querido).
A raiz eu finquei com tanto pesar, mas com tanto pesar pelas circunstancias, que até hoje dói; meu pai veio a óbito depois de contrair uma infecção hospitalar no Pronto Socorro de Campos do Jordão, na “Gestão Passada”, foi muito difícil;  foram 2 longos anos de muito sofrimento e uma briga incansável contra a bactéria, para a família toda e muitos (poucos) amigos que acompanharam nosso caso de perto na época.

Quantas noites dormi com o escudo em um braço e a espada no outro.
Eu tenho um carinho muito grande pelos profissionais da saúde que atenderam ele durante aqueles 2 anos de inúmeras idas e vindas tanto ao Pronto Socorro, como ao Hospital São Paulo, nossa afeição aos enfermeiros e médicos , virou quase que um vinculo familiar.

Os dois anos de idas e vinda ao hospital foram, apesar de difíceis, muito importante, pois foram  anos de união familiar, desenvolvimento de amor e carinho, foram anos de muita aprendizagem, que só sabe quem passa por isso, a gente evolui, amadurece com o sofrimento, apesar da questão ser de morte, rsrsrs é sobre a vida que acabamos entendendo um pouco mais, vi parte dessa situação se repetir algumas vezes dentro da família de alguns amigos.
Confesso que eu fico muito puta da vida, quando vejo esses profissionais, serem demitidos ou terem seus salários atrasados por conta de alguma incompetencia da pessoa errada no cargo errado, isso tem um custo muito alto, pessoas perdem a vida, como foi o nosso caso, briguei a minha vida inteira contra um sistema politico eleitoreiro fracassado, falido e corrupto que só é percebido quando necessitado individualmente, a sociedade é mesquinha e isso independe de classe social, políticos que não investem em educação e saúde, um povo que consequentemente acaba sem condições e sem opções de fazer boas escolhas na hora de eleger os políticos e aí entramos naquela roda sobre quem vem primeiro, o ovo ou a galinha?

O tempo passou e para aceitar esse fato com naturalidade precisei buscar desenvolver a espiritualidade, a conexão que faltava, a fé na vida, para entender, porem aceitar, nunca.

Anos depois vemos novas frentes se formando de bons guerreiros fazendo a diferença até na divisão de zoonoses, pessoas se mobilizando, para agasalhar e alimentar os animais que estavam abandonados a própria sorte, um pessoal bom de briga, isso é muito bom.

Porem agora a noite  dando aquela navegada básica nas atualidades do Facebook,  me deparo com a questão do cemitério;  não tem como não fazer uma reflexão profunda sobre os valores e os rumos que o município vem tomando, quando a questão é educação e saúde, esses profissionais vão SOZINHOS as ruas fazer a manifestação e muitas vezes são discriminados como vagabundos por estarem reivindicando salários em dia e melhores condições de trabalho, “perdendo tempo na rua” enquanto deveriam estar atendendo a população dentro dos hospitais, é assim que muitos se referem a eles, até que um dia o destino bate a porta e as reivindicações passam a ser entendidas cada vez melhor pelo coletivo, que estranhamente continua não se mexendo.

Se naquela época do meu pai era difícil, e tínhamos um Pronto Socorro e um Hospital São Paulo funcionando, hoje temos apenas 1 funcionando meia boca.

Naquela época do sepultamento lembro que o cemitério estava coberto de mato nos túmulos, nas vias de acesso, em fim era o verdadeiro cenário de filme de terror e  para completar a história toda em si; a voz da minha tia ecoa até hoje na minha cabeça, na hora do sepultamento ela dizendo: – Mas é nesse lugar horrível que vamos enterrar o Zé?

3 anos depois, até o cemitério esta pior que estava naquela época, não bastasse o abandono, agora tem cavalos lá dentro pisoteando os túmulos.

Prefeito e vereadores imagino que estejam voltados para os escândalos de denuncias feitas em redes sociais que escandalizaram a cidade, sobre concurso publico da Câmara essa semana. Tenho minha opinião formada sobre isso, mas realmente acho que nunca saberemos se de fato os fatos procederam ou não e quem foram os nomes envolvidos, fora o da denunciante.

E em fim sigo daqui, aguardando mais 2 anos para retirar (como diz o documento a cima) o saco de ossos do meu pai, e assim remover minha raiz dessa terra e devolve-la ao pé da nossa arvore genealógica lá em São Paulo no cemitério de Santo Amaro que é onde ele deveria ter sido sepultado.

Quanto a minha opinião sobre as perspectivas de futuro para Campos do Jordão a médio e longo prazo, sinto informar, mas esta pequena memória acima, somada a minha ficha criminal me leva a crer, que muitos ainda serão vitimas como minha família foi desse mesmo sistema, que pode até mudar de mãos, mas dificilmente mudara de intenções, basta olhar o numero de paraquedistas e fakes que vão surgindo nas redes sociais, todo mundo se intitulando salvadores da pátria e promessa para um jeito novo de governar de novo, lógico que tudo isso até cair pra dentro do sistema e se incorporar a ele, não acredito neles.

E continuo achando que neste momento nossa cidade esta em fase terminal talvez levando algumas descargas desfibrilatórias, mas esse pulso só volta a pulsar daqui uns 50 anos, por enquanto seguimos com essa democracia aí, escolhendo o menos pior.

Quem garante que a próxima vitima desse sistema não serei eu ou você que esta lendo agora? Tudo isso serviu para entender parte do sentido da vida, porem aceitar ainda é complicadíssimo afinal sou só um ser humano.

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